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Câmaras de Video vão vigiar Parque da Arrábida e do Estuário do Sado
PROJECTO: CICLOPE™
Jornal PÚBLICO, 14 MARÇO 2001


O Parque Natural da Arrábida e a Reserva Natural do Estuário do Sado (PNA/RNES) vão ter, a partir do próximo Verão, um sistema de televigilância florestal, à semelhança do sistema piloto que funciona nos postos de vigia de Pedra Bela, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, e de Vila Nova de Poiares, no Soutelo. O presidente do Instituto de Conservação da Natureza (ICN), Carlos Guerra, adiantou no final da apresentação do estudo para a aplicação do projecto, anteontem, que o ICN irá dar luz verde à aquisição deste produto e que irá estender a televigilância às restantes áreas protegidas do país.

O novo sistema de vígílância denominado "Ciclope", um produto nacional desenvolvido pelo Instituto de Novas Tecnologias, baseia-se na colocação de torres de vigilância equipadas com câmaras de vídeo em pontos estratégicos das reservas, ligadas a um centro de controlo localizado na sede do PNA/RNES. As câmaras têm um alcance médio de dez quilómetros e são movimentadas através de uma aplicação de software que permite configurar trajectórias pré-programadas para pontos críticos. Esta aplicação faz a gestão das imagens e poderá interagir com um programa de simulação de incêndios, desde que existam estações meteorológicas complementares nas torres de vigilância. O equipamento de vigilância integra também dispositivos de detecção para a protecção das próprias torres.

A transmissão dos dados poderá ser feita através de feixes hertzianos ou de outras redes de comunicações, como a rede Tetra que o Ministério da Administração Interna está a instalar em todo o país, o que permitirá a outros serviços do Estado o acesso à informação recolhida. Por outro lado, as imagens que chegam ao centro de controlo podem ser distribuídas para os centros de prevenção e de detenção de incêndios e centros de coordenação operacional do Serviço Nacional de Bombeiros.

O sistema que será implementado no PNA/RNES, com um custo total de 100 contos, inclui seis câmaras de vigilância - um número que será aumentado, a curto prazo, na RNES - distribuídas por cabo Espichel (uma no farol e outra nas ruínas), castelo de Sesimbra, alto da Madalena, convento da Arrábida e Tróia. As localizações das torres de vigilância foram determinadas com base num cálculo das manchas de vigilância, feito por uma aplicação de software a aprtir dos dados gesográficos da região. Posteriormente, os dados foram cruzados com a importância das áreas naturais e com critérios de segurança, instalação, acessibilidade, fontes de energia e ligações ao centro de controlo. A área total de vigilância integra 80 por cento da reserva, incluindo a zona marítima do PNA, para além de outras zonas florestais circundantes.

Apesar de se tratar de um estudo para a implementação do sistema de televigilância, o presidente do ICN adiantou que este projecto será aprovado porque "o património natural não tem preço". "Um hectare de carvalhal tem um valor monetário equivalente ao custo de uma torre de vigilância [cerca de 10 mil contos] e, em caso de destruição, o património só pode ser recuperado na geração seguinte", justificou.

Carlos Guerra referiu que o ICN vai equipar as restantes áreas protegidas com o sistema "Ciclope", sem adiantar, no entanto, qualquer data para a execução deste plano.


 

 
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