O Parque Natural da Arrábida e a Reserva Natural do Estuário
do Sado (PNA/RNES) vão ter, a partir do próximo Verão,
um sistema de televigilância florestal, à semelhança
do sistema piloto que funciona nos postos de vigia de Pedra Bela, no
Parque Nacional da Peneda-Gerês, e de Vila Nova de Poiares, no
Soutelo. O presidente do Instituto de Conservação da Natureza
(ICN), Carlos Guerra, adiantou no final da apresentação
do estudo para a aplicação do projecto, anteontem, que
o ICN irá dar luz verde à aquisição deste
produto e que irá estender a televigilância às restantes
áreas protegidas do país.
O novo sistema de vígílância denominado "Ciclope",
um produto nacional desenvolvido pelo Instituto de Novas Tecnologias,
baseia-se na colocação de torres de vigilância
equipadas com câmaras de vídeo em pontos estratégicos
das reservas, ligadas a um centro de controlo localizado na sede do
PNA/RNES. As câmaras têm um alcance médio de dez
quilómetros e são movimentadas através de uma
aplicação de software que permite configurar trajectórias
pré-programadas para pontos críticos. Esta aplicação
faz a gestão das imagens e poderá interagir com um programa
de simulação de incêndios, desde que existam estações
meteorológicas complementares nas torres de vigilância.
O equipamento de vigilância integra também dispositivos
de detecção para a protecção das próprias
torres.
A transmissão dos dados poderá ser feita através
de feixes hertzianos ou de outras redes de comunicações,
como a rede Tetra que o Ministério da Administração
Interna está a instalar em todo o país, o que permitirá
a outros serviços do Estado o acesso à informação
recolhida. Por outro lado, as imagens que chegam ao centro de controlo
podem ser distribuídas para os centros de prevenção
e de detenção de incêndios e centros de coordenação
operacional do Serviço Nacional de Bombeiros.
O sistema que será implementado no PNA/RNES, com um custo
total de 100 contos, inclui seis câmaras de vigilância
- um número que será aumentado, a curto prazo, na RNES
- distribuídas por cabo Espichel (uma no farol e outra nas ruínas),
castelo de Sesimbra, alto da Madalena, convento da Arrábida
e Tróia. As localizações das torres de vigilância
foram determinadas com base num cálculo das manchas de vigilância,
feito por uma aplicação de software a aprtir dos dados
gesográficos da região. Posteriormente, os dados foram
cruzados com a importância das áreas naturais e com critérios
de segurança, instalação, acessibilidade, fontes
de energia e ligações ao centro de controlo. A área
total de vigilância integra 80 por cento da reserva, incluindo
a zona marítima do PNA, para além de outras zonas florestais
circundantes.
Apesar de se tratar de um estudo para a implementação
do sistema de televigilância, o presidente do ICN adiantou que
este projecto será aprovado porque "o património
natural não tem preço". "Um hectare de carvalhal
tem um valor monetário equivalente ao custo de uma torre de
vigilância [cerca de 10 mil contos] e, em caso de destruição,
o património só pode ser recuperado na geração
seguinte", justificou.
Carlos Guerra referiu que o ICN vai equipar as restantes áreas
protegidas com o sistema "Ciclope", sem adiantar, no entanto,
qualquer data para a execução deste plano.