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Um filme contra os incêndios |
PROJECTO: CICLOPE™
Revista EXAME DIGITAL, JULHO 2001 |
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O INSTITUTO DAS NOVAS TECNOLOGIAS CRIOU UM SOFTWARE DE TELEVIGILÂNCIA
QUE PERMITE DETECTAR FOGOS A MAIS DE QUILÓMETROS DE DISTÂNCIA.
Ciclope é o nome de um software que promete transformar o
combate aos incêndios que todos os verões assolam Portugal
de Norte a Sul. Um ecrã e um computador é quanto bastam
para que qualquer guarda florestal controle à distância
várias câmaras de televigilância. Além de
superar barreiras físicas, o sistema permite fazer zoom e panorâmicas.
Tudo para que não escape nada aos homens que vigiam as áreas
verdes do País.
Em média, o raio de acção das câmaras não
ultrapassa os 20 quilómetros. Porém, tudo depende das
condições climatéricas e do relevo geográfico.
"Em certos casos já se conseguiu avistar incêndios
a mais de 60 quilómetros de distância", informa com
uma pontinha de orgulho Paulo Relvas, director geral do Instituto das
Novas Tecnologias (INOV), empresa responsável pelo desenvolvimento
do primeiro sistema do género criado por portugueses. A televigilância
é, de resto, uma área em que esta participada do INESC
aposta forte. Depois de, em 1994, instalar dois protótipos no
Parque Nacional Peneda-Gerês e na área florestal do Soutelo,
os responsáveis do INOV contam comercializar este sistema para
várias reservas naturais públicas e privadas do País.
Face aos protótipos lançados em 1998, a nova solução
distingue-se pelo facto de contar com um hardware e software renovados.
E é desta reformulação que nasceu o Ciclope. O
software mostra no ecrã várias janelas com as perspectivas
de cada câmara. Além de permitir ajustar remotamente os
movimentos de objectivas, o sistema está equipado com um dispositivo
de infravermelhos que funciona durante a noite. A escolha dos pontos
de observação pode efectuar-se através de um mapa
ou de uma panorâmica de 360 graus.
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ONDE O HOMEM NÃO CHEGA
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"Outra das vantagens do Ciclope, é que permite
vigiar o que se passa em várias áreas verdes, a partir
de Lisboa ou do Porto", exemplifica Paulo Relvas O recurso à
televigilância revela-se extremamente eficaz quando se trata de
observar zonas remotas, de difícil acesso. A comunicação
com o centro de controlo faz-se através de feixes hertzianos.
"Não é só no combate aos incêndios que
este sistema pode ser útil. Existem outras funcionalidades, como
a observação da fauna e da flora, ou evitar a intromissão
de pessoas em áreas de reserva integral", lembra o responsável
do INOV.
Actualmente, a adopção do Ciclope está a ser ponderada
pelo Parque Natural da Arrábida e Estuário do Sado. No
total, vão ser instaladas 10 câmaras, que vão cobrir
uma área desde Alcácer do Sal até ao Cabo Espichel.
Um projecto que ronda os 160 mil contos, verba que Paulo Relvas considera
não ser excessiva: "é um investimento de 200 escudos
por hectare".
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