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Sistema Galileu: a independência europeia
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Revista VALOR, 26 JULHO 2001 |
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A UE quer criar um novo sistema
de navegação por satélite, designado Galileu. O
objectivo do projecto, de utilização civil, é a
total independência do GPS norte-americano.
Em 2008, a União Europeia (UE) prevê lançar o Galileu,
um novo sistema de navegação por satélite para
rivalizar com o GPS (Global Positioning System) norte-americano. O projecto
tem como objectivo lançar satélites que possam fornecer
serviços similares ao GPS, que é gerido pelos, serviços
militares norte-americanos. Assim que estiver operacional, o Galileu,
um investimento estimado em 3,25 mil milhões de euros, torna-se
no "grito de independência" europeu relativamente aos
existentes sistemas de navegação por satélite norte-americano
(GPS) e russo (Glonass), de uso militar.
A Comissão Europeia (CE) anunciou no final do mês passado
a intenção de criar uma joint-venture com a European Space
Agency (ESA) para gerir este projecto. A CE espera que metade dos 3,25
mil milhões de euros necessários para financiar o sistema
provenham de empresas privadas. As empresas francesas Alcatel e a Thales,
as italianas Enav e Telespazio assim como a espanhola Aena, foram algumas
das unidades empresariais que prometeram "oferecer", em conjunto,
200 milhões de euros como investimento inicial.
A iniciativa das empresas vem ao encontro da vontade da Romano Prodi.
Ainda em Março passado, o presidente da Comissão Europeia
lançou um ataque bastante invulgar ao Parlamento Europeu referindo
que estes têm sido demasiado lentos no que diz respeito ao desenvolvimento
do projecto Calileu, cujo objectivo é criar um sistema de posicionamento
global europeu. Prodi demonstrou, na ocasião, consternação
e desânimo pela falta de progresso, referindo que esta é
uma área onde é <<urgente maior determinação
e empenhamento>>. Prodi referiu ainda que <<os Estados-Membros
têm andado a arrastar os pés com falta de sentido de urgência
ou vontade política, ou as duas. Basta apenas uma modesta injecção
de fundos públicos para provocar uma resposta rápida por
parte do investimento privado. O Galileu pode vir a garantir mais de
100 mil postos de trabalho de alto nível. Por isso é urgente
que este conselho chegue a um acordo rapidamente para o próximo
passo no desenvolvimento deste importante projecto>>. A recomendação
parece ter surtido efeito, pois, uns dias mais tarde, os governos dos
15 garantiram100 milhões de euros a que se juntaram outros 100
milhões da ESA para o desenvolvimento do projecto. A primeira
tranche estava assim garantida. No final de junho, as referidas empresas
avançaram com mais 200 milhões de euros. O Galileu, desenvolvido
especificamente para uso civil, vai ser capaz de apurar a exacta localização
de pessoas e objectos equipados com o receptor de dados apropriado.
Os dados vão ser disponibilizados por uma rede de 30 satélites,
a lançar em 2008. Assim, os sistemas de gestão de tráfego,
seja por ar, terra ou mar, assim como serviços de localização
gerais permitidos pela terceira geração de telefones móveis,
vão servir-se das informações do Galileu ao serviço
da Europa.
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O porquê do Galileu |
Os sistemas de navegação
por satélite, o GPS e o Glonass, foram originalmente desenhados
para fins militares. Com a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra
Fria, os respectivos governos permitiram que serviços de localização
por satélite fossem utilizados para fins civis. No entanto, no
caso do GPS, as informações fomecidas pelos satélites
norte-americanos tinham deliberadamente uma margem de erro da ordem
dos 100 metros. Isto significa que os dados não forneciam com
exactidão as posições correctas que permitissem
total segurança em aplicações terrestres e marítimas.
Entretanto, os Estados Unidos têm vindo a permitir aos receptores
europeus urna leitura mais correcta do GPS. Ainda assim, a margem de
erro é de 10 a 20 metros.
Mas a leitura dos dados de localização GPS pode, sempre
que assim o entendam, ser novamente codificada pelos Estados Unidos
(o que aconteceu no decorrer da Guerra do Golfo), negando o acesso aos
europeus. O mesmo é dizer que a Europa está dependente
da "boa vonta-
de" norte-americana nesta matéria. Com o Galileu operacional,
a Europa torna-se independente do sistema americano, o que deverá
acontecer em 2008. Mas para já, e para validar este sistema europeu,
está a ser ultimado o EGNOS (European Geostationary Navigation
Overlay Services), que permite receber os dados do GPS e corrigir a
informação, ou seja, diminuir a margem de erro de 20 metros
para menos de sete. O objectivo será, num futuro próximo,
fornecer dados de localização pela rede de satélites
Galileu com margens inferiores a um metro. Nessa altura será
possível levantar e aterrar um avião sem auxílio
do piloto.
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EGNOS chega primeiro |
Para apurar as reais necessidades
dos terminais EGNOS (que conta com a participação activa
do INOV - INESC Inovação) para as áreas de navegação
terrestre e marítima foram realizadas diversas entrevistas junto
de utilizadores de sistemas de navegação e localização.
O projecto foi iniciado após a identificação das
especificações dos terminais de acordo com necessidades
dos utilizadores.Um conjunto de terminais de navegação
terrestre e marítima está a ser desenvolvido.
Numa primeira fase, o EGNOS vai servir-se dos dados do GPS e Clonass,
fazendo a respectiva correcção das informações.
A partir de 2008, o EGNOS poderá receber os dados provenientes
do sistema Galileu, declarando a independência europeia.
A Comissão Europeia está confiante. Ao permitir acesso
barato e preciso sobre as localizações dadas por satélite,
o Galileu vai fomentar uma indústria avaliada em 9 mil milhões
de euros ao ano, sendo responsável pela criação
de 140 mil novos postos de trabalho.
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INOV É PARCEIRO NO PROJECTO EGNOS
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A participação do
INOV (INESC Inovação) neste projecto da ESA (European
Space Agency) consiste no desenvolvimento de um terminal marítimo
e de um terminal terrestre que possua o receptor de localização
por satélite EGNOS.
Assim, o INOV é responsável pelo desenvolvimento, prototipagem
e teste de um terminal marítimo e outro terrestre de navegação
para o sistema EGNOS (European Geostationary Navigation Overlay Services),
uma das contribuições da EU para o GNSS-1. Nesta primeira
fase, e até ao arranque do sistema Galileu, são utilizados
dados provenientes dos sistemas Glonass e GPS.
O sistema EGNOS recebe sinais a partir dos sistemas de navegação
por satélite norte-americano e russo e acrescenta um factor de
correcção, que permite ter acesso correcto aos dados de
localização. Mas para utilizar estes sinais é necessário
que sejam criados terminais receptores capazes de avaliar a performance
do sistema de acordo com as diferentes aplicações, seja
para utilizar em terra, no mar ou no ar.
Para João Costa, responsável pelos projectos INOV na ESA,
<<a vantagem do EGNOS está na integridade do sinal e na
precisão da localização que determina. Os terminais
marítimos e terrestres com características diferentes,
de acordo com o segmento de mercado a atingir, apresentam interfaces
gráficas de elevada resolução, mostrando mapas
da região e respectiva posição do utilizador com
o terminal>>.
As mais-valias deste projecto são notórias, pois <<permite
uma maior performance, maior disponibilidade de satélites visíveis
para fornecer o serviço e a certeza que os dados não têm
uma margem de erro superior a sete metros>>, acrescenta.
A participação do INOV neste projecto justifica-se <<pela
experiência na área dos sistemas de navegação
e localização por satélite. Fomos convidados a
participar num consórcio formado pela MAN Technologie e pela
Vicon Engineering, empresas alemãs que subcontrataram os nossos
serviços nesta matéria>>.
O projecto EGNOS deverá estar pronto em 2003, sendo capaz de
integrar, mais tarde, o sistema Galileu. Para João Costa, a participação
do centro tecnológico português no projecto europeu permite
<<estar em condições de integrar soluções
para os novos sistemas e actualizar as actuais soluções
INOV, mantendo a competitividade dos nossos sistemas>>. |
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