Conforme prometido na última
COMUNICAÇÕES, desta feita vou falar do Projecto Mão-na-Mão.
Porque há delícias que têm de ser faladas, pelo
exemplo que dão, mas sobretudo porque se revestem duma dimensão
humana e duma noção de cidadania a que as pessoas do mundo
empresarial não estão muito habituadas. É, naturalmente,
uma questão de estética empresarial, mas também
pessoal.
Falo do Murteira Nabo, feito animador, sentado no chão com os
meninos da SOL - associação que apoia crianças
portadoras do vírus HIV - e com os meninos da AMI - associação
que, em Portugal, apoia os sem-abrigo e dá alguma luz aos seus
filhos e aos filhos de alguns bairros votados ao abandono das sociedades
menos/mais evoluídas (?!) - sentado no chão, porque assim
podia ficar mais perto deles. Falo deste "senhor que fez aquilo
tudo" como referiu uma das crianças, com um brilhozinho
na alma, ao ser entrevistada pela TVI: "Eu quero dizer obrigado
a esse senhor"... a simplicidade com que esta criança vê
o mundo que a rodeia é deliciosa.
Mas falo também daquela relação nascida num acto
espontâneo e pleno de paixão e compaixão: paixão
da criança da SOL e compaixão do alto gestor, aliás
administrador, de várias das empresas do Grupo PT. A criança
não largou o colo de quem lhe deu colo, e não só
não o largou, como também afastou qualquer intruso. Quando
os abeirei, para lhes dizer já-nem-sei-bem-o-quê, o pequeno,
em tom peremptório, disse-me: "vai-te embora", como
quem diz: não me tires este prazer que hoje é meu.
Aquele colo conquistado talvez com um simples dar-de-mão no início
do encontro, ou talvez porque a ida daquelas crianças ao Oceanário
tivesse sido um "refresco" no seu dia-a-dia, e o colo recebido
fosse a "palhinha" para melhor bebê-lo e saborea-lo.
Esse colo tinha/tem dono, e seu dono chama-se Luís Ribeiro (ver
foto). No final da tarde, as cabeças dos voluntários rebolavam
ao sabor dos gritos e guinchos dos pequenos mais rebeldes e turbulentos.
E era ver o José Maria correndo atrás dos mais traquinas,
a Carla a pôr à prova a sua capacidade de educadora, a
Paula que, com "bué" de paciência, acalmava os
ânimos mais agitados, a Maria
João, feita pé-de-duas-cerejas, com duas crianças
que não a largaram, o João Paulo e o Carlos servindo de
sacos de boxe por estarem camuflados de telefone, para apenas falar
de alguns de entre os que mais se realçaram pela dinâmica
imposta.
Puf!! Mas os seus pensamentos vibravam ao ritmo do bater feliz dos corações
dos miúdos: missão cumprida. Fica-se a gostar mais da
nossa empresa e dos nossos colegas. E percebe-se que, afinal de contas
estamos cá para servir e ser servidos. Mesmo na óptica
do negócio, ou na qualidade de representantes de empresas, começamos
por ser "simplesmente" cidadãos do mundo.
Efectivamente, algumas (poucas, muito poucas) empresas são conhecidas
como empresas boas cidadãs, e procuram sê-lo correspondendo
à imagem que vão construindo. Apoiam a sociedade através
dos variados donativos que concedem (até porque essa boa forma
de estar em sociedade ajuda a abater nos impostos), mas oferecer o seu
maior trunfo - a sua mão-de-obra - quase nenhumas o fazem.
Foi por isto, e por ter tido conhecimento que "lá fora"
existem empresas que têm instituído o dia do voluntário,
que nasceu a ideia de "importar" um dia de voluntariado empresarial
para a empresa onde trabalho. E porque não arrastar mais empresas
para esta iniciativa e criar um movimento para a implantação
de um dia de voluntariado empresarial? Um programa inovador e, sem dúvida,
motivador. No primeiro contacto obteve-se a anuência imediata
da Siemens. da IBM, do INOV, da TELEMANutenção, da Euro-sistema
e da Editora RH e, posteriormente, a da Telepac, TV Cabo, Lusomundo
e a da Marconi. A PT Comunicações gere o projecto.
Em que consiste esta iniciativa? Cada emprega que integrar, este projecto
oferecerá, duma forma consistente e estruturada, um dia da sua
mão-de-obra a uma causa social. Este "dia" terá
lugar ao longo dos dias do ano de acordo com os projectos existentes
e as suas necessidades. Para o efeito, vai ser formalmente estabelecido
um protocolo de cooperação entre as várias entidades,
que se pretendem todas do sector- privado, apesar do projecto já
ter arrancado, dada a grande motivação dos parceiros.
Vamos - as empresas vão - colaborar naquilo que for preciso,
tendo em conta não só aquilo que melhor soubermos fazer,
mas também tudo aquilo que de melhor pudermos fazer. A coordenação
será sempre assegurada por peritos das instituições
beneficiadas, ou das empresas. Vamos reabilitar espaços, já
o foi o das Portas Amigas da AMI, em Cascais. Vamos dar formação
no âmbito das novas tecnologias. Vamos levar idosos e crianças
a locais de informação, lazer e/ou cultura. Vamos apoiar
acções pontuais de ONG's a nível de peditórios,
rastreio clínico, como já aconteceu com os "Jardins
Vividos" dos Médicos do Mundo. Em suma, vamos dar um pouco
da nossa força humana às instituições que
por missão têm a melhoria da qualidade de vida das pessoas
idosas, deficientes, maltratadas, doentes ou pura e simplesmente abandonadas
pela sociedade. Vamos fazer parcerias com outras iniciativas internacionais,
como foi o caso da colaboração com o "Impact Day",
da Deloite Consulting: "arrancar" as acácias da serra
de Sintra, uma praga ambiental. Convidar-se-ão mais empresas
a integrar este grupo empresarial. Outras empresas que, pelas áreas
em que actuam, venham enriquecer o projecto. Aceitam-se de bom grado
todas as ideias que contribuam para a valorização desta
iniciativa. Aceitam-se pedidos de instituições, com projectos
concretos, cujo primeiro contacto deverá ser feito através
do N.º Verde 800 206 206.